LA CARIDAD UNIVERSAL

A CARIDADE UNIVERSAL

20 visualizações

Biblioteca

INTRODUÇÃO

Não pretendemos alcançar posições de destaque, nem queremos fazer demagogia. A única coisa que queremos é servir. É só isso. Este não é um livro de eruditos, mas sim de CARIDADE CONSCIENTE. Haverá muitos sábios no mundo, mas, infelizmente, nestes tempos, a caridade esfriou. Queremos ser caridosos, queremos cultivar amplamente a CARIDADE CONSCIENTE.

O Movimento Gnóstico Cristão Universal, a Ação Libertadora da América do Sul e o Sivananda Aryavarta Ashrama uniram-se para dar início a uma Nova Era em meio ao majestoso estrondo do pensamento.

Milhões de pessoas de todas as escolas religiosas, ordens e seitas responderam ao chamado dos Três Movimentos Unidos. Estamos em condições de proporcionar ao mundo uma mudança total e definitiva. Recusar-se a colaborar com o triângulo, ALAS, GNOSIS, SIVANANDA, significa, na verdade, ISOLAR-SE de seus semelhantes e, por isso, serão condenados pelos grandes sábios perante o veredicto solene da consciência pública. (Não terão o direito de sentar-se à Mesa dos Mártires que se sacrificaram pela Nova Era). É necessário concretizar o CRISTO SOCIAL entre a humanidade sofredora; é urgente sacrificar-se pela humanidade e promover uma nova ordem altamente científica, filosófica e profundamente mística.

Este é o momento em que devemos organizar o exército da salvação mundial. QUEM NÃO ESTÁ CONOSCO, ESTÁ CONTRA NÓS. A campanha da nova era de Aquário já começou e quem der um passo para trás estará perdido.

GNOSIS isso é sabedoria. GNOSIS É amor. GNOSIS É o sacrifício de si mesmo. Quem não for capaz de se sacrificar por seus semelhantes é indigno de viver. Quem não for capaz de cooperar pelo bem dos outros cairá no abismo da perdição. É urgente acabar com o EGOCENTRISMO e CULTIVAR o CRISTOCENTRISMO. Chegou a hora do CRISTO SOCIAL.

Lá vai o nosso livro, para o campo de batalha. Muitos vão rir dele, muitos vão insultá-lo, muitos vão jogá-lo fora com raiva, não importa. Lá vai este livro como uma clarim de guerra que convoca os corajosos.

Gnósticos, em frente… Gnósticos, à luta… Pelo Cristo e pela Nova Era, em frente.

O AUTOR

CAPÍTULO I A CARIDADE UNIVERSAL

Uma análise aprofundada nos leva à conclusão de que a caridade deve ser consciente. O amor é Lei, mas o Amor Consciente. Os poderosos da terra dizem constantemente: "Eu dou muitas esmolas, sou muito caridoso"… Quando algum poderoso gasta alguns pesos em alguma obra de beneficência pública, ele divulga isso aos quatro ventos pela imprensa e pelo rádio, e todo mundo diz: "Este é um homem bom"… No entanto, apesar de tanto alarde e tanta propaganda, as ruas da cidade estão cheias de homens que perderam o emprego, de mães que se vendem por um pedaço de pão para sustentar seus filhos famintos. De deficientes que mendigam ou tentam trabalhar vendendo bilhetes de loteria, jornais etc., para não morrerem de fome; de pais de família procurando emprego, etc., etc., etc. E, no entanto, fala-se em CARIDADE… Essa é a triste ironia do mundo. Onde está a caridade?

Existe no ser humano uma tendência fatal de sempre se considerar superior aos infelizes da vida. O banqueiro, o empresário, a senhora elegante, passam pela rua, arrogantes, altivos, e quando encontram em seu caminho um pária da vida, não olham para ele e, se o fazem, é para jogar-lhe uma moeda com soberbia. Esses arrogantes não querem perceber que o mendigo, o inválido, o desempregado, a mãe faminta não são inferiores a ninguém. Que são iguais a nós. Que são nossos IRMÃOS.

Todos nós somos seres humanos e, como tal, formamos uma grande família: A FAMÍLIA HUMANA. O sofrimento de qualquer ser humano afeta, de uma forma ou de outra, toda a família.

A caridade, bem entendida, significa o pleno reconhecimento dos Direitos Humanos. Não é justo que alguns poucos tenham a sorte de possuir casa própria, carro de luxo, rendas, etc., etc., enquanto a grande maioria sucumbe à miséria. Não é justo que a senhora elegante desfrute de sua mansão, enquanto, à porta, senta-se, cansada e faminta, a mãe pobre que clama por um pedaço de pão. Todos nós somos humanos; o sangue que corre nas veias do infeliz também corre nas veias do poderoso. É o mesmo sangue da Família Humana.

É absurdo olhar com desdém para nossos semelhantes, para nossos irmãos; é ilógico considerar todos como estranhos; ninguém pode ser estranho na família. O poderoso ajuda o poderoso, o governo ajuda o "ilustre" e abandona o infeliz à própria sorte.

A sociedade atual precisa passar por uma verdadeira e justa REFORMA SOCIAL. Isso é o Cristo Social. Precisamos reavivar a chama do espírito com a força do AMOR. Precisamos desenvolver a Compreensão Criativa.

CAPÍTULO II: AS FAMÍLIAS POBRES

Vimos mães infelizes, cercadas por seus filhos famintos e nus, procurando nas ruas papéis sujos para juntá-los e vendê-los em certas fábricas por uma moeda, a fim de saciar a fome. Ninguém tem compaixão por eles, nem os grandes senhores, nem os políticos que fazem tantas promessas ao povo. Vimos mães e crianças desnutridas, miseráveis, devorando cascas de laranja e restos de comida encontrados nas lixeiras. Tudo isso acontece enquanto os poderosos da terra anunciam aos quatro ventos programas agrários, promessas maravilhosas sobre o tema do Capital e do Trabalho. Os políticos prometem… Que ironia da vida… Prometem… prometem… Até quando tanta injustiça? Entre canais de esgoto, vimos na Cidade do México essas pobres mães mergulharem para retirar o cadáver de um porco ou de uma ave de capoeira, já em decomposição, para acalmar a fome de suas famílias.

E, no entanto, os políticos prometem… prometem…

Para as famílias pobres, só há desprezo. Os poderosos deste mundo nunca se lembram dos infelizes. Eles nem sequer existem em suas mentes.

Alguns governos criam ASILOS para famílias em situação de extrema pobreza. Os pobres preferem vagar pelas ruas carregando sua miséria a entrar nesse novo tipo de prisão. Eles têm razão.

A liberdade é muito bela, e é melhor morrer de fome sendo livre do que morrer de barriga cheia dentro de uma jaula. A moradia camponesa é para os trabalhadores bem remunerados. As casas-fazendas são para os empregados da burguesia, para aqueles que podem se dar ao luxo de pagar bem.

Nós, os gnósticos, devemos lutar por esses infelizes. Devemos abrir refeitórios públicos para esses párias da vida. Devemos lutar perante os governos da Terra para que esses pobres infelizes também tenham seu teto humilde, mas limpo, arejado e alegre. Um teto de Liberdade, não uma jaula compassiva em cuja porta esteja escrita a palavra ASILO. Nós, os gnósticos, devemos lutar por esses infelizes; viver não é crime. Essas pobres mães, essas crianças famintas e nuas, também têm direito à vida.

CAPÍTULO III A LEI DO DESTINO

No ser humano, existem dois fatores perfeitamente definidos: A PERSONALIDADE e a ESSÊNCIA.

Existe também a Lei do Destino (KARMA). Essa grande Lei de Causa e Efeito controla a ESSÊNCIA, mas de forma relativa à Personalidade Humana.

Considerando as coisas dessa maneira, torna-se realmente muito difícil prever o futuro da maioria dos seres humanos, da mesma forma que é arriscado prever o futuro de uma máquina enlouquecida, sujeita à lei fatal dos acidentes. A Personalidade se forma no lar, na escola, no ambiente; é o resultado da educação, do exemplo, do costume, etc. A Personalidade é o INSTRUMENTO DO EU. Outra coisa é a ESSÊNCIA (da alma), que é anímica. Normalmente, o embrião da Alma que todo ser humano carrega encarnado fica estagnado em seu desenvolvimento quando o EU fortalece a Personalidade. O EU é Satanás em nós. Um EU forte e uma Personalidade extremamente desenvolvida são suficientes para deter o crescimento da ESSÊNCIA.

A ESSÊNCIA é o embrião da Alma que todo ser humano possui encarnado; o homem ainda não encarnou sua alma. É absurdo culpar a Lei do Destino por todas as misérias humanas; não negamos a ação do KARMA, mas este controla a ESSÊNCIA e, relativamente, a Personalidade.

Poderíamos dizer que cinquenta por cento das amarguras deste mundo são resultado de acidentes. Atribuir a culpa de tudo ao KARMA é absurdo. A miséria, o crime, o roubo são resultado da nossa falta de CARIDADE. O infeliz que só conheceu a miséria, que viu sua mãe sofrer e morrer exausta pela fome, é obrigado a odiar a sociedade, é obrigado a declará-la sua inimiga mortal. Não podemos culpar o KARMA nem o DESTINO por isso. Somos nós mesmos os criadores desses monstros. "Crie corvos e eles arrancarão seus olhos".

Alguns fanáticos, ao verem alguém sofrendo, exclamam: "KARMA… KARMA"… e, cheios de crueldade, afastam-se do infeliz. Outros dizem que é um castigo de Deus. Atribuem a culpa pela miséria à GRANDE REALIDADE, ignorando que ela é paz, abundância, felicidade, perfeição. A GRANDE REALIDADE não criou a dor, nem a miséria; somos nós os criadores. É preciso compreender isso e lutar por um mundo melhor.

Precisamos remediar essa situação. É assim que o EMBRIÃO DA ALMA se desenvolve, é assim que ele se fortalece. Quem se sacrifica e dá a vida pelos outros está no caminho para alcançar a Existência Real. E todo aquele que possui a Existência Real ENCARNA SUA ALMA.

CAPÍTULO IV OS DIREITOS DO HOMEM

Existem direitos que o Estado é obrigado a reconhecer. Os direitos humanos são muito sagrados; vamos estudar alguns deles.

CHEFES DE FAMÍLIA

São muitos os chefes de família que, com seus rendimentos, não conseguem suprir as necessidades de suas famílias. As causas dessa situação desastrosa costumam ser diversas: analfabetismo, doenças, falta de qualificação profissional, etc. O resultado desse problema é a fome, a prostituição das filhas, a delinquência e a mendicância. Esse tipo de flagelo moral é terrível e não se resolve com prisões; é preciso corrigir o mal pela raiz. É necessária assistência social para esses pais de família. Eles também têm o direito de viver como seres humanos; é preciso que o Estado melhore o padrão de vida desses homens pobres.

PROTEÇÃO ÀS FAMÍLIAS EM SITUAÇÃO DE DESGRAÇA

O Estado deve proteger as famílias dos indiciados, detidos, exilados ou condenados. Essas famílias carentes, que ficam sem sustento econômico, devem ser protegidas pelo Estado. Este deve ser como uma mãe para aqueles que sofrem: o povo confia no Estado, e ele não deve decepcioná-lo.

As famílias em situação de vulnerabilidade precisam de assistência social imediata e oportuna para evitar o crime; caso contrário, serão obrigadas a roubar ou a se prostituir para sobreviver. É cruel, sob todos os pontos de vista, negar-lhes o direito à assistência social. A família inocente não tem por que arcar com as consequências do crime cometido pelo chefe da família, que muitas vezes o comete para salvar sua esposa, seus filhos, sua mãe e seus irmãos.

PESSOAS DOENTES QUE NÃO PODEM TRABALHAR

Essas pessoas também são seres humanos, fazem parte da sociedade e têm direito à vida. Elas trabalharam e adoeceram; não importa o motivo, é nosso dever pagar-lhes o salário como se estivessem trabalhando. Seria uma espécie de "seguro por doença".

IDOSOS

Os idosos devem receber a aposentadoria do Estado; não se deve confiná-los em asilos. Ninguém é mais nem menos do que ninguém. O Estado deve conceder ao idoso uma "pensão" para viver e uma moradia onde ele possa passar tranquilamente os anos que lhe restam. Ser idoso não é crime; todos nós chegaremos lá. O idoso precisa de proteção, abrigo e pão.

CAPÍTULO V A MULHER CAÍDA

Ela era uma jovem delicada, cheia de uma beleza encantadora; seu único crime foi ter amado demais. Como costuma acontecer nesses casos, o galã, depois de ter satisfeito seu desejo sexual, se afasta dela.

A pobre moça vem até nós, quer um conselho, está grávida. O namorado a abandonou, fez promessas que não cumpriu. Seus pais não sabem de sua situação; ela já não consegue mais esconder o filho que carrega no ventre. Se confessar, será expulsa de casa… E a Justiça? Ela já é maior de idade. Então, o que fazer? Ela está perdida. Implora pelas ruas, procura o bordel, a favela, o vício.

A mulher em desgraça é comum na vida urbana. Ela é vista nos cabarés, nos bares, lamentando sua desgraça entre um drinque e outro. É vista nas ruas mendigando com o filho nos braços. Ela cometeu um crime que a sociedade, hipócritamente, não perdoa: ter amado demais…

Os governos do mundo zombam desses casos; ninguém tem compaixão pela infeliz. A única coisa que a sociedade faz é empurrá-la para a criminalidade.

Pedimos misericórdia para as mulheres em situação de vulnerabilidade. Imploramos aos poderosos desta terra que ofereçam assistência social a essas infelizes. Pedimos caridade para essas mulheres.

CAPÍTULO VI ASSISTÊNCIA MÉDICA E FARMACÊUTICA

Vimos crianças desnutridas e doentes; idosos indigentes; cegos infelizes; mulheres pobres implorando por esmola para comprar seus remédios. Alguns jogam uma moeda para elas, outros se afastam do infeliz como se fosse uma sombra ruim. Não há compaixão pelos doentes pobres. E isso acontece na Civilização Moderna. O Estado funda hospitais e acredita que já resolveu o problema da saúde pública. Os doentes pobres não confiam nos hospitais chamados de "de caridade". Eles se lembram dos sofrimentos vividos ali: a fome, o abandono, o tratamento recebido de médicos e enfermeiras. Além disso, nem todos podem ir ao hospital; quase nunca há vagas. E um pai ou uma mãe de família prefere pedir esmola nas ruas a abandonar seus filhos. Quem cuidará deles?

O Estado deve prestar assistência aos doentes. A assistência médica e farmacêutica é uma obrigação do Estado para com o povo. Os hospitais não resolvem esse problema.

É necessário ampliar esses serviços com postos de saúde, onde sejam distribuídos medicamentos gratuitamente e onde haja médicos e enfermeiros que compreendam o sofrimento humano, mesmo que o paciente seja um pobre infeliz.

Há casos inusitados. Conheci um trabalhador na Cidade do México que sofreu um acidente de trabalho. Enquanto esteve no hospital, não recebeu seu salário, alegando que não estava trabalhando.

É lamentável que um trabalhador, por ter sofrido um acidente de trabalho, tenha seu salário negado.

Chegou a hora de compreender que todos nós somos seres humanos e não animais. Somos irmãos e devemos ajudar uns aos outros.

Lutaremos por assistência médica e farmacêutica para o povo.

CAPÍTULO VII O DIREITO AO TRABALHO

Quando o ser humano chega à idade adulta, tem o dever de trabalhar. Infelizmente, ao atingir essa idade, surgem os problemas. O jovem procura emprego e todos riem dele. "Volte amanhã, volte daqui a quinze dias. Quando houver uma vaga, vamos levar você em consideração"…

Assim, o tempo vai passando e o jovem vai ficando cada vez mais angustiado; talvez sua família, sua mãe, seus irmãos estejam com fome e a única esperança seja ele, seu salário. Mas a sociedade o rejeita, e o jovem cai no abismo do crime. É indispensável, para conseguir trabalho, o "padrinho", a "influência", a "conexão". Sem isso, sem as INFLUÊNCIAS, não há trabalho para o pobre. E o resultado não demora muito a aparecer. Aquele jovem, cheio de ilusões, das esperanças de sua família e da própria sociedade, desesperado pela dor, lança-se à delinquência, ao vício, ao crime. Então, a sociedade grita aos quatro ventos; ele é perseguido, preso, morto.

Todo mundo fica alarmado, mas ninguém investiga a causa que levou aquele jovem a cometer o crime.

Seja aos jovens, aos homens ou aos idosos, é negada a possibilidade de ganhar honestamente o pão de cada dia.

E temos visto nas ruas, ao lado das grandes praças de mercado, humildes camponeses fugindo com os frutos que trouxeram do campo. Não lhes permitem trabalhar porque não têm dinheiro para pagar uma banca na praça do mercado. Eles, que trazem o milho, a banana, a batata etc. para que os moradores da cidade possam se sustentar, têm negado um direito sagrado: O DIREITO DE TRABALHAR. O Estado tem a obrigação de zelar por esse direito, pois trabalhar não é crime.

Se os governos querem um povo saudável e forte, um país rico e próspero, precisam proteger o Trabalho.

CAPÍTULO VIII: PROBLEMA DA MORADIA

O Estado deve investir parte de seus recursos na promoção da construção de moradias populares.

É justo que os trabalhadores em geral tenham a felicidade de ter sua própria casa. Já vimos trabalhadores, de todos os setores, morando em cabanas de madeira e lata, casinhas de papelão, covis imundos, como porcos. Não há compaixão por esses trabalhadores; a Sociedade não lhes perdoa o “crime” de serem humildes servos dela.

Em certa cidade, um líder ferroviário foi preso por reivindicar moradia para seus colegas. É doloroso ver famílias inteiras vivendo em quartos minúsculos, em aposentos imundos. Na Espanha, por exemplo, vivem em um quarto miserável de poucos metros até três famílias amontoadas como animais. Em outros lugares, surgiram os chamados "edifícios multifamiliares" que, assim como os arranha-céus, não resolvem o problema da moradia. Lá, as crianças não têm espaço para brincar, para tomar sol. Esses prédios não passam de galinheiros. Como se não houvesse terreno para construir casas de verdade; e o resultado é fatal. As doenças se espalham com extrema facilidade, as crianças crescem fracas. Os poderosos da terra dizem: "Para as crianças brincarem, existem os parques"… Que tempo resta ao pai, à mãe, para sair com seus filhos aos parques? Resumindo, nem a criança, nem o idoso têm direito a aproveitar os raios de sol, nem o perfume do jardim.

E o senhorio, o locador? Ele é implacável, não aceita desculpas; o dinheiro tem que estar acima de tudo, pronto e à mão. O proprietário não tem compaixão, não tem caridade. Se não houver dinheiro para pagar o aluguel, mães, idosos, crianças, móveis — tudo vai para a rua. O proprietário esquece que todos somos humanos, que todos somos irmãos.

O problema da moradia é extremamente grave. Chegou a hora de MUNICIPALIZAR a MORADIA. Por isso, propomos duas coisas:

Primeiro: MUNICIPALIZAÇÃO DA HABITAÇÃO.

Segundo: DESCONGESTIONAMENTO DA VIDA URBANA.

Com o primeiro ponto proposto, acaba-se de vez com a exploração do proprietário. Com o segundo, alivia-se a superlotação urbana, melhorando notavelmente a situação econômica e social da população.

A municipalização da habitação proporcionaria ao Estado recursos financeiros para ampliar o espaço vital da vida urbana. O sistema de “casa-fazenda”, além de poder ser implantado na periferia de todas as cidades, é imensamente produtivo para a sociedade, pois a fazenda doméstica forneceria produtos agrícolas de consumo diário. O mesmo vale para os animais de criação. Alguns governos já adotaram esse sistema com resultados maravilhosos. O Estado pode comprar ou trocar casas e lotes; além de oferecer facilidades para a construção por meio de pequenos empréstimos. A ideia já está em andamento, mas é preciso intensificá-la para que todos possam desfrutar de sua própria casa.

A municipalização da habitação deve se tornar lei. Respeitar os bens alheios é lei; da mesma forma, construir casas com facilidades de pagamento, controladas pelo município, deve ser uma lei obrigatória.

Nenhum Estado deve ficar indiferente diante do problema da moradia; em um Estado indiferente e cruel, não há justiça.

O Estado deve ser pai e mãe para o povo.

CAPÍTULO IX: A FAMÍLIA, OS SALÁRIOS E A MORADIA

Já se foram aqueles tempos em que a mulher se dedicava inteiramente à sua missão divina de mãe. A felicidade do lar foi destruída pela dura luta pela sobrevivência. A mãe foi tirada do lar e levada para o escritório, para a fábrica, para o armazém e até mesmo para o quartel…

As crianças que antes passavam horas brincando com suas mães e desfrutando de seus carinhos agora são deixadas, como cachorros, em casas especiais, onde uma empregada cuida delas enquanto a mãe trabalha. Essas crianças não têm mais um lar. Esses tempos já passaram.

A desgraça chegou às portas do lar e invadiu-o. Muitos casais já não querem ter filhos e, na verdade, a lógica está do lado deles. Para que trazer criaturas ao mundo que não vão ter um lar? Crianças que serão cuidadas por empregadas e viverão trancadas em quartos como ratos?

O pai já não ganha o suficiente para sustentar a família. Os salários são baixos; a mãe também precisa sair para procurar trabalho e ajudar o marido. Essa é a desgraça dos nossos tempos. As crianças sofrem as consequências, e a geração cresce com complexos. Quando chegam à idade adulta, dizem: "Meu pai trabalhava, minha mãe não conseguiu nos criar direito porque também precisava trabalhar. Neste mundo, o que vale é o dinheiro"… É a essa conclusão que chega o homem dessa geração. Porque o rico diz: "Quem é você? O dinheiro fala por você; quanto você tem, tanto você vale. Se você não tem, consiga trabalhando e, se não conseguir emprego… Consiga de qualquer jeito"… E é aí que surgem mais ladrões, mais vigaristas, mais viciados, mais prostituição.

Esses problemas têm solução sem a necessidade de violência, sem golpes de Estado, sem revoluções sangrentas, sem ditadores. Todos nós criamos esses problemas; todos nós devemos resolvê-los.

É preciso acabar com o egoísmo e com a vontade de mandar. Vamos analisar cada problema e tentar encontrar uma solução sensata para ele.

Todo filho que vem ao mundo custa dinheiro. Os governos devem proteger a natalidade. No mercado de trabalho, deve-se dar preferência aos casados, preenchendo as vagas com homens casados. Criar subsídios para cada filho que o trabalhador tiver. Se o trabalho for realizado em locais difíceis, em climas hostis, deve-se conceder um bônus. Devemos compreender a dor do nosso próximo. Todos dependemos uns dos outros, todos precisamos uns dos outros, todos somos servos uns dos outros. O problema de qualquer ser humano afeta, dentro de seu raio de ação, muitas pessoas. O problema de muitos afeta a todos.

O Movimento Gnóstico Universal, a Ação Libertadora Sul-Americana e Sivananda chegaram à conclusão de que somente com base em uma compreensão rigorosa é possível resolver os problemas da vida humana.

Insistimos que é cruel e impiedoso não aumentar o salário do trabalhador cuja esposa ou companheira deu à luz um filho. Diante disso tudo, os patrões encolhem os ombros dizendo: "Isso não me importa, não tenho por que pagar mais a ele só porque teve mais um filho"… É um erro que afeta os interesses do patrão. Pois um trabalhador com preocupações e sofrimentos não consegue ter bom desempenho no trabalho. Sua eficácia diminui e, consequentemente, a produção também. Cometeremos um crime ao nos sentirmos separados de nossos semelhantes; dependemos deles. Se houver greve nos transportes, no setor de energia, na indústria do petróleo, etc., etc., somos nós que sofremos as consequências, como tantas vezes constatamos.

Se queremos um lar feliz, se queremos que a mulher volte para casa como um anjo da felicidade, se queremos que nossos filhos cresçam sem complexos, devemos intervir junto aos governos, na medida de nossas possibilidades, para que o trabalhador receba uma remuneração melhor. Todos devemos cooperar para resolver esse problema.

CAPÍTULO X A FOME NA AMÉRICA LATINA

A América Latina é formada por países subdesenvolvidos e, por isso, depende das grandes potências. Podemos afirmar que os Estados Unidos da América monopolizaram os mercados da América Latina. Mas o colosso do Norte também precisa de nós, assim como nós precisamos dele.

Os importadores latino-americanos precisam pagar por suas mercadorias com base no dólar, o que resulta em aumento nos preços dos produtos, já que a moeda desses países está desvalorizada em relação ao dólar. O comerciante não pode ter prejuízo, é o negócio dele. E quem arca com as consequências desse desequilíbrio monetário? O consumidor, o povo!

Daí a importância de se revisarem os tratados comerciais e de se buscarem soluções para que a moeda dos países latino-americanos alcance uma posição mais favorável em relação ao dólar. Pois é um fato inquestionável que os povos latino-americanos nutrem ódio, ressentimento e insatisfação contra os Estados Unidos da América.

E o grande país do Norte não tem interesse em cercar-se de inimigos, de pessoas ressentidas. É preciso buscar uma solução para o problema, sem egoísmo. É preciso cultivar o CRISTOCENTRISMO; somente assim teremos paz, abundância e felicidade. É preciso abandonar o egoísmo e concretizar o CRISTO SOCIAL.

CAPÍTULO XI: CRISE DE PREÇOS

De carro, percorremos as ruas da antiga terra dos astecas; estamos na bela capital dos antigos náhuatl. O motorista do táxi é um senhor idoso, alegre e falante. As ruas do grande mercado de "La Merced" e os armazéns de mantimentos estão repletos de pessoas fazendo compras.

O motorista de táxi comenta algo sobre o alto custo de vida e nos diz: "Vejam, esses armazéns nunca ficam vazios; milhões de pesos circulam por essas ruas diariamente. Esses locais são caríssimos e, por isso, os comerciantes repassam o aluguel aos seus produtos, ou seja, ao consumidor. É por isso que os alimentos são tão caros"... Nós respondemos: "É verdade... e é preciso levar em conta os especuladores. O agricultor é quem ganha menos... o produto passa por muitas mãos e, quando chega ao consumidor, já vem com toda a margem de lucro"...

O carro segue em frente e o motorista continua: "Vejam, os comerciantes apresentaram uma petição ao governo solicitando que ele intervenha nos preços do aluguel dos estabelecimentos; assim, afirmam, poderiam vender a preços mais baixos"… "Isso é claro", respondemos; “a municipalização da habitação e de todos os locais comerciais traria uma redução no custo de vida. Pois o governo poderia ter armazéns de estocagem de alimentos para evitar os especuladores, e assim o camponês receberia o preço justo por seus produtos. O vendedor venderia a preços controlados pelo governo”…

Não precisamos nem do capitalismo nem do comunismo para viver; o que é realmente necessário é a COMPREENSÃO.

CAPÍTULO XII: AS RELIGIÕES

O postulado do sábio matemático Albert Einstein: "Energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado", derrubou o MATERIALISMO ATÉU. "A massa se transforma em energia, a energia se transforma em massa". Esses postulados brilhantes marcaram o fim do materialismo.

O binômio Espírito-Matéria nada mais é do que a manifestação de uma mesma coisa; essa coisa é a energia. As religiões têm uma base científica; os templos são verdadeiras usinas de energia atômica; as orações são fórmulas mentais que nos permitem gerar energia que passa de um cérebro para outro. É assim que ocorrem os chamados milagres. Quem hoje zomba da religião acaba se tornando um inimigo da energia atômica, e somente os ignorantes podem zombar de uma verdade tão grande.

As forças geradas por um ritual podem ser utilizadas na agricultura ou para curar doentes à distância. Não está longe o dia em que essas forças poderão ser fotografadas e medidas com aparelhos de precisão. Os sacerdotes de todas as religiões são, hoje, verdadeiros magos da energia nuclear.

A morte é uma verdadeira subtração de números inteiros; ao término da operação, restam apenas os Valores. Assim, o que perdura após a morte são os Valores Energéticos da Natureza. Esses Valores se reencarnam, fazendo com que a morte seja, então, um retorno à concepção.

A vida e a morte estão intimamente ligadas, pois ambas são manifestações da Energia Universal.

Os destruidores de religiões desconhecem a Física Nuclear, e quem zomba do que não conhece está a caminho de se tornar um idiota. Os perseguidores das religiões são pobres ignorantes. Quem critica a religião do próximo comete um crime contra a Caridade Universal; as religiões são pérolas preciosas enfiadas no fio de ouro da Divindade. No âmbito da Grande Reforma Social, devemos respeitar todas as religiões, escolas, ordens e crenças. Cada ser humano merece respeito; sua religião é algo muito sagrado.

A verdadeira Caridade Consciente baseia-se na Compreensão; quem se opõe aos princípios religiosos não possui Caridade Consciente.

A dialética materialista foi reduzida a pó pelos postulados do sábio autor da Teoria da Relatividade. A ciência demonstrará a existência do Hiperespaço, o valor energético da oração e dos rituais. Assim como a tremenda realidade do EU ENERGÉTICO, que perdura após a morte. Chegará o dia em que será possível fotografar o EU ENERGÉTICO.

Por meio da Caridade Consciente, as religiões, ordens e escolas devem se unir para trabalhar em prol do bem-estar social e econômico da humanidade. As lutas fratricidas entre as diferentes religiões estão condenadas à desaprovação universal.

A Grande Caridade Universal é a Religiosidade Cósmica.

FIM.

ESTA OBRA FOI CONCLUÍDA EM 28 DE SETEMBRO DE 1.973 NA IMPRENSA IRIS. BOGOTÁ D.E. – COLÔMBIA

ANEXO

CRIAÇÃO DO INSTITUTO DA CARIDADE UNIVERSAL

Conclusões da Comissão encarregada de elaborar o projeto da Caridade Universal no Congresso Gnóstico Cristão Ecumênico de San Salvador, realizado entre 27 de dezembro de 1972 e 2 de janeiro de 1973.

A COMISSÃO ENCARREGADA DE ELABORAR O PROJETO DA CARIDADE UNIVERSAL

CONSIDERANDO QUE:

1. – Que se crie uma instituição de caridade em todos os níveis, que atue de forma eficaz, respeitando as leis de cada país.

2. – Que este Instituto deva ser criado automaticamente por todos os membros do M.G.C.U. de cada país e nas respectivas seções ou filiais, representados neste Congresso.

3. – Que alguns governos fazem grandes doações para instituições de caridade, as quais não chegam ao seu destino, ou seja, aos necessitados, porque são desviadas por organizações que se fazem passar por instituições de caridade, mas que vendem os itens doados a entidades comerciais, em vez de distribuí-los gratuitamente.

4. – Que, por meio do Instituto, esses serviços e doações oficiais possam ser canalizados de forma que realmente cheguem aos necessitados e que não se continue a fazer comércio nem a explorar de forma desumana essas doações.

5. – Que é necessário que este Instituto entre em contato com os diversos organismos ou associações de beneficência, iniciativas comunitárias ou qualquer tipo de serviço caritativo, a fim de coordenar e contribuir para que atuem de forma eficaz em prol da caridade consciente.

RECOMENDAÇÕES:

1. – Criar o Instituto da Caridade Universal aqui e agora.

2. – Solicitar o reconhecimento de organizações internacionais, como a UNESCO e a OEA.

3. – Este Instituto terá como eixo central o S.S.S., que será sua diretoria internacional.

4. – O Instituto terá um Presidente Nacional, que será a mesma pessoa que representará a autoridade do Comendador Soberano em cada país.

5. – O Presidente Nacional do Instituto da Caridade Universal coordenará todas as atividades da instituição em seu país, devendo informar o S.S.S. sobre suas atividades.

6. – As comissões serão responsáveis por estabelecer contato com a comunidade.

7. – Sugere-se a criação de um organograma, cujo chefe e consultor central seja o V.M. SAMAEL AUN WEOR, assessorado pelo vice-consultor V.M. GARGHA KUICHINES (ver revista "Abraxas", n.º 36).

 

Ligue pelo WhatsApp